Desenvolver games digitais, embora envolva muito estudo, muita programação, desenhos, esboços e muitas horas na frente de um computador, não é lá das tarefas mais difíceis. Atualmente temos uma gama de ferramentas, softwares, aplicações e suporte de todo o tipo disponíveis para quem gosta e quer produzir seus games independentes. Basta uma pesquisada rápida nos mecanismos de busca e voilá! Milhares de soluções surgem na nossa tela e nos fazem acreditar que sim, é possível desenvolver sem ter feito um curso para tal.

Claro que cada caso é um caso. Cada game, cada projeto, tem suas particularidades e, consequentemente, suas dificuldades, seus desafios.
Já desenvolvemos alguns mini-games e também alguns projetos maiores de games, que envolvem equipes maiores, o que aumenta o desafio.

Mas, quando resolvi criar um jogo analógico próprio (que, na verdade, criei meio sem querer), tive imensa dificuldade em ‘materializar’ a ideia do jogo. Óbvio, quando os desafios começaram a surgir, no meio da criação, resolvi consultar o grande oráculo de nosso século.

Qual foi minha surpresa que existe pouco material a respeito do desenvolvimento de jogos desse tipo, em comparação aos jogos digitais. Poucas ferramentas on-line e pouquíssimos sites e blogs que te auxiliam nesse processo. A resposta para essa diferença entre os dois tipos de jogos é até meio óbvia; criar jogos analógicos é muito mais difícil.

Deixo essa questão para um outro post ou artigo, já que não é o objetivo dessa postagem.

Voltando ao nosso caso específico, ao começar a serrar as peças de madeira, fui imaginando como seria a jogabilidade do ‘Construtores de Torre’. A ideia de construir edificações e outros objetos somente por construir já existe… Vários jogos para crianças utilizam peças de diferentes tipos e tamanhos que permitem que o jogador construa aquilo que determina a regra.

Primeiro dado do jogo

Era preciso algo novo nesse universo. Assim, nasceu o caos. Digo, o aleatório. O dado. Ou seja, o jogador possui as peças, mas não pode usá-las a bel prazer: um dado personalizado faz a escolha das peças a serem usadas e a sua quantidade. Além disso, o jogo não pode ser jogado individualmente; é preciso um desafio, uma disputa, para determinar o ganhador. Assim, ficou definido que ganha quem construir a torre mais alta, que não caia, obviamente.

A partir desse momento, era hora de criar as peças. Inicialmente, pensei em peças simples mesmo, blocos, mas com tamanhos diferentes, que exige aplicações diferentes. Portanto, criei ‘categorias’ de peças: tijolos, colunas, pilar e dois tipos de base, uma quadrada e outra triangular.

Tudo caminhava bem quando me dei conta de que as torres eram um pouco frágeis, talvez por conta do material utilizado (afinal utilizei uma madeira de baixa qualidade para esse fim, o compensado). Percebi que, além do material, era preciso reforçar a base da torre. Nada mais óbvio do que acrescentar um tabuleiro.

Com essas definições em mente, construí três kits, um para cada jogador. Essa é a imagem dos primeiros kits:

Primeiros kits do jogo

Ficou definido que as peças seriam:

  • Tijolos – 16 peças
  • Colunas – 8 peças
  • Pilar – 1 peça
  • Base quadrada – 2 peças
  • Base triangular – 2 peças

Para que a dinâmica do jogo ficasse mais interessante, inseri o pilar de maneira que o jogador abdica de jogar o dado e utiliza a peça em questão no momento em que decidir. Abaixo mais imagens das primeiras regras e objetivos do jogo:

Por fim, resolvi modificar alguns parâmetros, como tamanho das peças, madeira a ser utilizada e outros mais. Mas isso é para outro post.


escolajogo

Artista e desenvolvedor de jogos e aplicativos educacionais.

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