Caio Corraini
07.04.2011

Arena Turbo

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The Sims Medieval – Muito mais do que um Big Brother na Idade Média

 

Lançado no início de 2000, bem no meio do período que separa o filme O Show de Truman da chegada do Big Brother ao Brasil, o primeiro The Sims fez sucesso ao oferecer aos jogadores a uma fórmula que permitia “brincar de Deus”, controlando cada detalhe da vida de diversos personagens em uma casa virtual.

A série evoluiu, os títulos adquiriram mais profundidade e o que antes era apenas um “simulador da casa da Barbie” passou a permitir que fossem controladas as carreiras profissionais, hobbies, famílias, alegrias e frustrações de uma ampla gama de personagens virtuais possíveis.

Agora, em The Sims Medieval, que está sendo lançado oficialmente no Brasil nesta quinta-feira (7) para PC e Mac (R$ 99,90), a EA transportou todo o universo da franquia para a Idade Média, com direito a castelos, magos, batalhas e todo um reino para explorar.

De dona de casa a rainha

O primeiro passo em The Sims Medieval é criar o monarca que irá reger o reino de acordo com as escolhas do jogador. O game herda todas as mecânicas e novidades do terceiro título da série, portanto o modo de criação de personagens é extremamente variado.

Existem três opções marcantes de personalidade que todo Sim deve escolher. Duas são traços de sua atitude cotidiana – como aventureiro, eloquente, piadista, mau caráter, dentre outros. Já a terceira é um defeito, que irá proporcionar pequenas dificuldades durante o jogo – como viciado em apostas, preguiçoso, fracote, sofre de insônia e assim vai.

Após criar seu rei ou rainha, cabe ao jogador customizar a sala do trono com uma infindável lista de opções de móveis, cortinas, tapeçarias e o que mais o seu espírito sedento por estudar design de interiores da Idade Media poderia desejar.

Como de costume, grande parte da diversão de The Sims vem exatamente desta “construção”, das alternativas que são oferecidas pelo jogo. Nesse quesito, Medieval não desaponta, com o potencial de cada jogador ter uma experiência única.

Pegue na minha mão e vamos

A característica que mais chama a atenção em The Sims Medieval é a apresentação de missões ao jogador, com uma descrição detalhada de todas as atividades que deverão ser realizadas e um acompanhamento passo a passo da sua progressão enquanto executa a quest.

Por exemplo, em uma de suas andanças pelo centro comercial do reino, uma súdita se aproxima, dizendo que foi vitima de um valentão que a tratou mal. Sua essência de paladino da justiça se eleva e, além de dar um baita discurso para repreender o rapaz, o rei dá a ordem para que ele seja preso em uma guilhotina onde a população pode lhe atirar ovos e tomates. Mas não se preocupe, quando impor uma execução a algum Sim, nada de sangue ou cabeças rolando. O título é classificado para jovens acima de 16 anos, afinal de contas.

Não são poucas as missões que lhe arrastam para fora do palácio, fazendo com que o rei se envolva em embates e tenha de atuar ativamente na construção de novas instalações para o reino. Até mesmo em atividades menos nobres, como recolher madeira ou rochas – o que acaba sendo um pouco sem noção, pois se eu fosse realmente rei, o único esforço que gostaria de ter seria o de levantar a mão para pedir mais asinhas de galinha.

Comédia da vida “pública”

Ao se relacionar com as outras pessoas, agora há uma variedade ainda maior de ações e linhas de diálogo, com a facilidade de adquirir muitas informações importantes dependendo do que for debatido.

Puxando papo com outros Sims genéricos é possível descobrir suas religiões, pratos prediletos, hobbies e outras frivolidades que podem auxiliar na hora de descolar uns amigos pra assistir à próxima apresentação do bobo da corte, ou até alguém pra dividir a suíte master do seu castelo.

Dependendo das reações dos outros personagens durante essas conversas, seu Sim também pode adquirir atributos temporários, que podem auxiliá-lo – ou atrapalhá-lo – na realização de tarefas específicas. Desafiar algum cavaleiro para um duelo logo após ter sido rejeitado por uma donzela não é uma das ideias mais inteligentes.

O que eu quero mais é ser rei

Numa comparação entre a vida sob a coroa de The Sims Medieval e Fable III, que também coloca as responsabilidades de todo um reino em suas mãos, além das diferenças óbvias de temática e seriedade das situações, em The Sims a pressão é muito menor.

Enquanto no jogo da Lionhead o objetivo é salvar Albion do perigo iminente, no título da EA as suas maiores preocupações se alternam entre tirar férias e quem convidar para as festas reais.

Suas “obrigações” como monarca são sempre simples e ocupam pouco tempo de seu dia. Sentar no trono e dar ouvidos aos pedidos dos súditos é sempre hilário, principalmente por conta das suplicas absurdas que chegam ao seu conhecimento.

Em pouco tempo autorizei um duelo de bardos pelo campeonato mundial, a decapitação de um sábio que afirmava que a Terra era redonda e neguei auxilio na construção de uma biblioteca. Uma estátua minha seria muito mais adequado.

Avalanche de tarefas

Para quem estava acostumado com a rotina de trabalhar, dormir, cozinhar e ir ao banheiro dos The Sims anteriores, Medieval pode parecer um pouco ameaçador a princípio. Há momentos em que você se pega pensando: “caramba, é muita coisa pra fazer”.

Além do monarca, o jogador pode também criar inúmeros outros Sims dentro do reino, como magos, ladrões, bardos e mercadores, cada qual com as suas próprias missões e histórias paralelas.

Existe aqui um número absurdo de personagens, localidades, atividades extras e zilhões de possibilidades para customizar sua experiência de jogo, além de novas missões que pipocam a todo o momento.

Para quem olhou torto para este título, pensando que haviam lançado uma expansão com o preço de um jogo completo, está na hora de rever seus conceitos e dar uma chance à Idade Média.


escolajogo

Artista e desenvolvedor de jogos e aplicativos educacionais.

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