extraído do link: http://www.gamedesign.com.br/participantes-jogos-educativos-jogos-de-empresa/

autor: Peter M. Richter

Projetar um jogo tendo em mente o número de participantes é algo básico no game design. No caso dos jogos educativos usados em salas de aula e também dos jogos de empresa presenciais, esta preocupação é ainda mais pertinente. Isso porque diversos elementos devem ser pensados em relação à dinâmica da partida e seus objetivos de aprendizagem para que, na prática, a partida não fique caótica ou mesmo nem consiga ser jogada.

Alguns pontos que precisam ser levados sem consideração:

– O professor (ou instrutor, ou facilitador) aplicará sozinho o jogo? Se sim, então é preciso que o jogo tenha um enredo ou desafio bastante cativante, que prenda a atenção dos alunos-jogadores, diminuindo assim a dispersão deles. Também é preciso que a mecânica seja simples, para que o professor não tenha que ficar repetindo as regras a todo o momento para os participantes.

– A turma onde o jogo será aplicado, ou a equipe, possui traços de desorganização e dispersão? Se sim, usam-se os mesmos critérios citados acima, de modo a prender a atenção e não parar a todo o momento por causa de dúvidas sobre as regras. Isso abriria a possibilidade de conversas paralelas entre aqueles que já entenderam as regras e não precisam prestar atenção novamente na explicação.

– A turma é muito grande e será necessário dividi-la em vários grupos? Neste caso, projete o jogo para que todos possam jogar ao mesmo tempo, sem a necessidade de um grupo ter que esperar pela sua vez de jogar. O turno, ou a rodada, do jogo deverá ser para todos os grupos ao mesmo tempo. Isso vai evitar que um ou mais grupos tenha que fica esperando, o que resultaria em prováveis conversas paralelas. Imagine uma partida com seis grupos, sendo que cada grupo tem que esperar a sua vez de jogar? Enquanto um grupo joga, com certeza conversas paralelas ocorrerão nos outros grupos que estão esperando. Portanto, tenha isso em mente: não deixe ninguém ocioso esperando sua vez de jogar. Crie as regras de modo a manter todo mundo sempre fazendo alguma coisa relevante na partida.

– A turma é pequena. Neste caso é melhor dividir em grupos ou deixar cada um jogar individualmente? Depende do projeto do game. Contudo, jogos em grupos costumam ser sempre mais interessantes por envolver um trabalho de equipe, e pela possibilidade do professor ter que dividir menos a sua atenção para cada participante.

Essas situações acima precisam ser pensadas na hora do game designer criar o jogo. Se for o caso, pode-se criar um jogo com variações nas regras, que permita que ele seja jogado por turmas de diferentes tamanhos. Isso já ocorre muito em jogos de tabuleiro e games digitais.

Nos jogos educativos aplicados em sala de aula, é preciso levar em conta que os alunos irão dispersar em alguns momentos, mesmo sendo o jogo muito interessante. Uma alternativa para diminuir isso é criar situações ‘decisivas’ dentro do jogo. São aqueles momentos que costumam prender a atenção até de quem estava conversando, pois possuem uma importância maior dentro da partida. Por exemplo, um jogo que envolve perguntas e respostas, e em dado momento, uma pergunta vale o triplo de pontos e o grupo terá a metade do tempo para respondê-la, tornando este momento, um momento ‘decisivo’. Lembrando também de manter as regras simples, evitando ainda mais dispersão dos alunos.

Nos jogos de empresa, apesar dos jogadores serem jovens e adultos, também existe muita dispersão. Porém, neste tipo de jogo, dependendo do público alvo da atividade, o game designer pode criar regras um pouco mais complexas, tornando o jogo mais interessante, desafiador e estratégico.

Contudo, atenção redobrada neste ponto, pois quando se cria um jogo de empresa, é preciso ter a sensibilidade de tornar o jogo complexo dentro da medida certa. Se for além desta medida, gera dispersão, pois a maioria não vai entender o que tem que ser feito. Se for ágüem, também pode gerar dispersão por não existir nada que prenda a atenção, nenhum desafio significativo. Se o grupo for grande então, ambos os casos são ainda mais acentuados.

Sobre a complexidade das regras, leve em consideração que, se a turma não entender direito e for grande, então será praticamente impossível aplicar o jogo. E isso é uma das piores coisas que pode acontecer, uma vez que muitos ali irão reclamar, seja por terem pagado para participar do jogo de empresa, seja os patrões que pagaram para que os funcionários fizessem aquela atividade, seja pelo tempo que os participantes gastaram para estarem ali naquela atividade que não conseguiu ser realizada.

Já se for uma turma pequena, e a maioria não entender as regras devido a sua complexidade, o professor poderá ainda explica-las melhor, tendo a atenção de todos e tirando as dúvidas particulares. No caso das regras serem demasiadamente simples tornando o jogo desinteressante, o professor não terá muito que fazer. Neste caso, independe da turma ser grande ou pequena, é provável que ocorra dispersão por falta de interesse.

Portanto, no que diz respeito aos jogos de empresa, caso a turma seja pequena, eu recomendo que arrisque criar um jogo um pouco mais complexo, pois ainda que a turma não entenda direito, há a possibilidade de o professor explicar melhor e a atividade ser bem realizada. No caso da turma ser grande, opte por um jogo não tão complexo, pois assim o professor não correrá o risco de não conseguir aplicar a atividade. É melhor ele aplicar, mesmo que acabe sendo pouco animadora devido as regras simples demais, do que não consiga aplicar pela complexidade. Até porque, um detalhe interessante é que às vezes, mesmo o jogo sendo simples demais, acontece um clima de desafio e confronto entre os próprios grupos, criando um significado interessante para o jogo.


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Artista e desenvolvedor de jogos e aplicativos educacionais.

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